Parada Gay reúne centenas de participantes em Maceió

Encontro ocorreu na orla da Pajuçara e teve drag queens, dois trios elétricos, diversão e mensagens contra intolerância

Dois trios elétricos, drag queens, músicas que foram do axé ao dance e, lá embaixo, centenas de pessoas que estavam ali para transmitir, por meio da diversão, uma mensagem séria de defesa à diversidade. “Contra o fundamentalismo, a favor da cidadania, vote contra homofobia” foi o tema da 10ª Parada do Orgulho LGBT de Maceió, que ocorreu na tarde deste domingo (30), na orla da Pajuçara. 

Para prestigiar a Parada Gay, seguiram para capital participantes de vários municípios alagoanos, como Cícero Antônio, de 27 anos. O gerente do hotel partiu de Maragogi com um vestido de baiana caprichosamente ornamentado e terminou se assustando com o sucesso que suas vestes causaram. “Essa é a primeira vez que venho aqui e não esperava tanta repercussão. Um monte de gente está tirando fotos e perguntando sobre a roupa”, comentou, não deixando de dançar em nenhum momento da entrevista. “Minha mãe nem sabe que estou aqui”, emendou. 
Cícero Antônio não esperava o sucesso de seu vestido baiano (Foto: Wanessa Oliveira)


De cima do trio, o promoter pernambucano Wilton Rocha, de 22 anos, contou ter prestigiado o evento a convite de uma boate alagoana e reforçou ter chegado em Maceió para ficar. ”Estou aqui no evento, mas também pretendo morar aqui, porque estou me casando nos próximos dias, com meu namorado”, completou, apresentando à Gazetaweb o sortudo, o fisioterapeuta Marcone Fraga. 
Wilton Rocha (de preto) apresenta seu noivo, Marcone Fraga


Já a baiana Alaisi Santana, de 27 anos, que também foi à Parada em Maceió pela primeira vez, contou que está há dois meses na cidade e faz algumas comparações ao mesmo evento que ocorre em Salvador. “Achei a iniciativa ótima, mas vejo que dá para crescer mais, melhorar”, comentou. Alaisi ressaltou a importância de não só participar da curtição atrás do trio elétrico, mas buscar ampliar os espaços de diálogo a respeito do assunto. “Em Salvador, são várias as reuniões. Temos até uma praia, de Aruba, cuja bandeira é GLBT. E tudo começou porque simplesmente começamos a frequentar, a nos concentrarmos nesses locais”, comentou.


Baiana Alaisi Santana tira foto com amiga Jeosa Dak (Foto: Wanessa Oliveira)


Reforçando o depoimento de Alaisi Santana, a secretária estadual da Mulher, Cidadania e Direitos Humanos, Wedna Miranda, lembrou que o evento também é uma representação da luta pela inclusão. “Devemos lutar, por meio de todas as discussões e seminários que fizemos ao longo da semana, contra todas essas situações de constrangimento nas quais algumas pessoas estão submetidas. Vejo gente sair da escola porque não consegue vivenciar toda essa circunstância de ser maltratada na escola, além do preconceito de fora da instituição”, acrescentou. “A gente só faz a diferença quando a gente vem e diz o que quer e vocês estão aqui para dizer que querem respeito, vida e segurança. Principalmente vida”, emendou. 

Representando a Câmera de Maceió, a vereadora Tereza Nelma aproveitou o momento para lembrar do episódio ocorrido na madrugada desse sábado (29), quando um homossexual conhecido na área como ‘Natasha’ foi vítima de espancamento na cabeça. “Não podemos deixar que isso continue acontecendo. Que crimes como esse continuem em Alagoas e que nosso estado seja o primeiro lugar na lista de crimes contra homossexuais do Brasil”, defendeu.





Fundamentalismo
O fundamentalismo, termo utilizado originalmente para definir um movimento religioso que não admite qualquer grupo contrário às suas ideias, ou mesmo qualquer abertura para diálogos. O termo foi ‘emprestado’ ao movimento LGBT para descrever a homofobia ou quaisquer preconceitos contra minorias.

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